Janelas na paisagem

colinas de Piracaia em véspera de chuva, por R.I.

 Rodovia dos Bandeirantes, São Paulo. A certo momento da viagem surgem aquelas casas à beira da estrada. Não tão perto assim, mas em meio a um vasto descampado ou quase no topo  de colinas perdidas em algum passado sem asfalto. Quem morará ali? No que devem pensar quando olham para o fluxo nervoso de carros e mais carros?

 Parecem deslocadas apenas para os deste lado do vidro. Compõem bem com o vento e as nuvens, agora que chove mais. E chove oblíquo, inciso no espírito, quanto mais abandono parece cair sobre elas.

 Elas passam devagar, as rodas deslizam para voar, as casas ficam. Talvez nem habitadas nem tão antigas, mas estranhas. Vazias de enfeites ou cores, sem beleza, sem avisos, por que continuam ali?

 Parecem ensaios obscuros, rabiscos de plano B, que costumam reaparecer de vez em quando nos percursos fluidos quando o olhar escapa da sua moldura.

 

 [não há ligação direta entre foto, texto e personagens; quando muito ela é um lance de dados do universo]

Sobre Ricardo Imaeda

Um amigo. Em passagem por terras estranhas, imigrante nativo. Tem aprendido com todas as formas de vida. Gosta de cidades e montanhas, árvores e culturas. Anda por um caminho temperado pelo zen, na incerteza de cada dia. Escreve para compreender, para encontrar.
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