Uma vez na vida, outra

vista oeste a partir da praça do pôr do sol, no Alto de Pinheiros, São Paulo, por R.I.

Quantas vezes não repetiu para si a frase popular pesando o preço, altíssimo, de alguns bens e serviços. E que eles valeriam a pena talvez pela experiência única, uma única vez. Guloseimas a que se dá o direito num extravio de razões; viagens para nunca mais. Mas não foi assim que ele se viu dividido entre a incerteza da continuidade e o sopro incerto de um último entusiasmo. Ou será que ele gastaria o resto do estoque num repente de segundos, como se a história terminasse aí, a outra vez na morte?

Seus passos são mais lentos cada dia, ainda que as mensagens ganhem pressa; as ofertas, rastro. Ele parece distante. Não parece mais estar neste mundo. Pessoas esbarram ao lhe ultrapassar. Como alguma sobra de ensaio que não deu certo não deve mais incomodar.

Um dia a mais.

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Sobre Ricardo Imaeda

Um amigo. Em passagem por terras estranhas, imigrante nativo. Tem aprendido com todas as formas de vida. Gosta de cidades e montanhas, árvores e culturas. Anda por um caminho temperado pelo zen, na incerteza de cada dia. Escreve para compreender, para encontrar.
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Uma resposta para Uma vez na vida, outra

  1. Alanyson disse:

    Belo texto, Querido! Mais um belo texto. A dor tem sua poesia mesmo… Mais um dia. Às vezes te acho um prisioneiro, que conta os dias. E fico me perguntando: o que prende as pessoas nesse mundo? Eu tenho a teoria da esperança hedionda. Só estou falando de mim. rs

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