Reagentes

uma das cachoeiras no rio Pinhalzinho, em Joanópolis, São Paulo, por R.I.


O que talvez impressione mais em ‘Cosmopolis’, filme de D. Cronenberg, é a nossa indiferença em relação ao seu protagonista, um bilionário desprovido de sensibilidade humana, de consciência ética ou qualquer outro predicado que possa ser reconhecido como vizinho. Não reagimos, embora critiquemos. Ao silêncio dentro de sua limusine acrescentamos outro, de um não registro, de não pertença. Porque ele parece se mover como um andróide, mas não como os de ‘Blade runner’, que queriam mais tempo de vida. Aqui há um fastio, um tanto faz com tudo o que não é seu capital volátil.

À indiferença dele nossa indiferença, então. Seria essa uma boa resposta? Como expressar o horror a tal comportamento, que atropela na vida real de forma semelhante, que prospera para nos pauperizar?

Se há choque com sua violência silenciosa deveria haver também alguma espécie de ruído incômodo que deveria se amplificar para dizer: não.

Afinal, talvez seja uma indiferença aparente. Um tombo amortecido, que começa a liberar a dor apenas um tempo depois, quando se deixa a cena, quando os nervos voltam a tocar a superfície da terra.

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Sobre Ricardo Imaeda

Um amigo. Em passagem por terras estranhas, imigrante nativo. Tem aprendido com todas as formas de vida. Gosta de cidades e montanhas, árvores e culturas. Anda por um caminho temperado pelo zen, na incerteza de cada dia. Escreve para compreender, para encontrar.
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