Os passos

detalhe do lago do jardim da Luz, no centro de São Paulo, por R.I.

detalhe do lago do jardim da Luz, no centro de São Paulo, por R.I.

[ao som de ‘Empty chairs at empty tables’, de A. Boublil, C-M. Schönberg e H. Kretzmer – a canção de Marius depois da morte de seus amigos em ‘Les Misérables’]

Dia depois dia os gestos se repetem dentro de casa. Quanto tempo já terá passado? Ou parado, como se perdido para sempre. Sai à rua e os percursos se sucedem mais que conhecidos. Não é preciso decidir por onde. Cada trecho foi trilhado tantas vezes. Fora, ou dentro?, eles passam pedaços de conversa, ruídos de fundo sem perspectiva. Vozes em aquário.

Como saber se ainda é possível estender a mão para esse mundo paralelo e ser percebido? As bolhas são doces, se expandem ao toque. Mas eles parecem não mais responder.

Em outras vezes nos fiapos da cidade luziam rostos, alguns conhecidos, que o acompanhavam em planos e íngremes, passagens, destinos.

Alguma coisa mais está diferente. Alguma peça falta. E não vai mais a lugar algum.

Anúncios

Sobre Ricardo Imaeda

Um amigo. Em passagem por terras estranhas, imigrante nativo. Tem aprendido com todas as formas de vida. Gosta de cidades e montanhas, árvores e culturas. Anda por um caminho temperado pelo zen, na incerteza de cada dia. Escreve para compreender, para encontrar.
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s