Depois do colapso

detalhe de um dos lagos do parque do Ibirapuera, zona sul de São Paulo, por R.I.

detalhe de um dos lagos do parque do Ibirapuera, zona sul de São Paulo, por R.I.


[para Alanysson, pela passagem de uma grande dor]
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Do que me lembro era dos bem-te-vis, único pássaro que sabia reconhecer pela voz. Eles ainda continuavam a marcar o começo das manhãs e noites num andamento regular como se fosse para sempre. No seu canto um chamado, um convite de visita, de casa.

Quantas vezes me confortou ouvir esse som, agora melodia, continuando aquele outro, em queda, de afasto dos dias.

Não precisava compreender seus versos flutuando sobre enchentes e queimadas. Era tocado por essa brisa de vinda, sintaxe murmúrea, calando os murros. Uma companhia tão presente como incorpórea. Tão solitária que nem nos mais definitivos instantes.

Essa voz eu ouvia. E respirava.

[Se uma palavra puder abraçar; se um abraço, falar]

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Sobre Ricardo Imaeda

Um amigo. Em passagem por terras estranhas, imigrante nativo. Tem aprendido com todas as formas de vida. Gosta de cidades e montanhas, árvores e culturas. Anda por um caminho temperado pelo zen, na incerteza de cada dia. Escreve para compreender, para encontrar.
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Uma resposta para Depois do colapso

  1. alanyson disse:

    Pode. E fala.

    Obrigado!

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