O próximo é o que deixou de ser

perspectiva da Praça das Artes, no centro de São Paulo, por R.I.

perspectiva da Praça das Artes, no centro de São Paulo, por R.I.

Saio da história para entrar na literatura.
Quando a memória falha, as anotações não se completam, as personagens começam a ganhar metros quadrados. Se elas seguiram a vida e se estabeleceram ou revolveram em seus eixos só a imaginação pode decidir. E assim vai meu relato quebra-cabeça enquanto converso com você, você mesmo parte da ficção que se espalha como verdade nas horas em que não acordo.

Havia aquele café, naquela época sorveteria, e a máquina de tocar discos movida a moedas de sabe-se lá que nome. Canções caras de emoções mais ainda. Que escolhia com critério, um saber adolescente. E ouvia como se o mundo, a esquina, se curvasse em cumprimento e ahs e ohs. Mais amigos inventados, cantantes, do que talvez recordo agora.

Pois são esses amigos que invoco em auxílio a uma busca. Um rosto que não consigo desenhar. Nem olhos nem testa; dobras de sofrido, doçura sem par.

Escrevo porque a lembrança não basta. Não sutura. E o caminho percorrido na história se apaga por cima de outro, que definha sem nunca ter chegado a viver.

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Sobre Ricardo Imaeda

Um amigo. Em passagem por terras estranhas, imigrante nativo. Tem aprendido com todas as formas de vida. Gosta de cidades e montanhas, árvores e culturas. Anda por um caminho temperado pelo zen, na incerteza de cada dia. Escreve para compreender, para encontrar.
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