Entre vistas

rua Nova Barão, centro de São Paulo, por R.I.

rua Nova Barão, centro de São Paulo, por R.I.

[ao som de ‘Inbetween days’ do The Cure]

Armação de óculos quebrada. Vou atrás dos óculos antigos. Faz tanto tempo, mas lá estão eles, como curriculum vitae em três dimensões. Todo um museu de como pude ver ao longo dos anos. Quanto peso, quanto vidro na espessura da distância. Foi um percurso e muito, para me lembrar de fora, aquele diferente, carregando o fardo para poder acertar as letras.

Óculos de formas austeras, fazendo sombra mais séria sobre os olhos sérios, reduzindo mundo e imagem. Não sei por que os guardo, com tanta história mal sentida. Talvez por um instinto de preservação, como os retratos de uma infância desbotada ou as poucas lembranças de viagem.

Continuam em estado de espera. Minerais, metais, paisagens perdidas. Que quando os coloco de novo sobre o rosto me tingem com o ressaibo de tormentas conhecidas mas nunca superadas.

E agora é minha a espera. Por um novo óculos. Com menos sedimentos, menos pressão, menos dor.

Sobre Ricardo Imaeda

Um amigo. Em passagem por terras estranhas, imigrante nativo. Tem aprendido com todas as formas de vida. Gosta de cidades e montanhas, árvores e culturas. Anda por um caminho temperado pelo zen, na incerteza de cada dia. Escreve para compreender, para encontrar.
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