Iniciantes

fachada da biblioteca municipal Mário de Andrade, no centro de São Paulo, por R.I.

fachada da biblioteca municipal Mário de Andrade, no centro de São Paulo, por R.I.

Ao longo de muitos anos os profissionais da área Psi e parcelas da neurociência contribuíram para sedimentar a crença de que a infância seria a fase decisiva de nossas vidas. Que nela se plantariam as bases sólidas do que seriam os adultos, seus traços de caráter, inclinações. E argumentaram, reuniram evidências, estabeleceram nexos causais. E assim venderam essa ideia como fato, destino.

Mas lá vem a literatura para nos mostrar que não é bem essa toda a história. Os livros com os chamados ‘romances de formação’ ajudam a enriquecer a perspectiva, vertendo luz sobre outros momentos decisivos na constituição do humano. Muitas vezes é a puberdade; em tantas outras, a adolescência; os anos de graduação; a breve ou longa juventude. Ou, para pouca surpresa, a própria maturidade se condensa como nascente, fundamento de toda uma vida.

Quando é que deixamos de lado uma trilha vincada e partimos em direção ao desconhecido, não a um ponto mas a uma galáxia? Largamos o que era um roteiro esperado, uma vida assentada, e riscamos um fósforo, rasgamos o contrato.

Talvez não seja mesmo no período em que estamos sendo socializados, conformados para o mundo existente. Essa é a fase de imitar, incutir, instalar. De seguir e depender, parecer com o semelhante, diluir. A não ser que algo saia do script. O encontro com o outro, o diferente. Um conflito com o meio, uma quebra. Ou uma inquietação que nasce ou se avoluma à medida que o horizonte estanca.

Esse algo é o que interessa.

No primeiro semestre deste ano a biblioteca Mário de Andrade promoveu um ciclo de palestras sobre romances de formação, que agora está disponível em DVD para empréstimo. Assim também com o ciclo do ano passado sobre mestres do conto latino-americano.

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Sobre Ricardo Imaeda

Um amigo. Em passagem por terras estranhas, imigrante nativo. Tem aprendido com todas as formas de vida. Gosta de cidades e montanhas, árvores e culturas. Anda por um caminho temperado pelo zen, na incerteza de cada dia. Escreve para compreender, para encontrar.
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