O que não se herda

perspectiva do museu Honestino Guimarães, em primeiro plano, e da Esplanada dos Ministérios e o Congresso Nacional, ao fundo, em Brasília, por R.I.

perspectiva do museu Honestino Guimarães, em primeiro plano, e da Esplanada dos Ministérios e o Congresso Nacional, ao fundo, em Brasília, por R.I.

Já se sabe que uma obra de arte não pertence mais a seu criador a partir do momento em que é lançada no mercado. Cada leitor, ouvinte, espectador se apropria dela e estabelece sua própria interpretação. O autor deixa de ser seu dono. A obra se liberta dele. Mas aí vêm os herdeiros e querem conter em seus domínios o que não pode mais ser contido. Eles querem exercer seu poder de mando e veto, agarrar com unhas e dentes a mina de ouro que lhes garante a sobrevivência. Aproveitam todas as oportunidades para extrair ainda mais dinheiro, porque só lhes resta isso: a sua própria mediocridade.

E assim alugam canções sublimes para vender qualquer coisa, qualquer patifaria sólida ou líquida. Devem se refestelar com os lucros sem o peso na consciência que, afinal, sempre lhes faltou.

É uma pena, uma miséria nesses tempos de cinismo e regressão acelerada. Uma derrota, por enquanto.

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Sobre Ricardo Imaeda

Um amigo. Em passagem por terras estranhas, imigrante nativo. Tem aprendido com todas as formas de vida. Gosta de cidades e montanhas, árvores e culturas. Anda por um caminho temperado pelo zen, na incerteza de cada dia. Escreve para compreender, para encontrar.
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