O que seca

vista do lago do núcleo Engordador do Parque da Cantareira, na região norte de São Paulo, por R.I.

vista do lago do núcleo Engordador do Parque da Cantareira, na região norte de São Paulo, por R.I.

Agora que a terra se risca em ranhuras como as palmas da mão termino cada pensamento com a aflição de não saber quando chegará o fim do poço. Quando terão fechado as fontes, quanto terão errado os que não sabem planejar. São os meses em que a umidade relativa do ar conspira contra a saúde dos olhos. Em que os lagos e rios secam. Naturais ou construídos secam. E o resto de gentileza vai sendo escorraçada pelas tralhas da brutalidade.

 Não apenas a terra perde água. Os tecidos do corpo e alma também. E das lembranças.

 Deixaram a desgraça se acomodar por quase todos os espaços e olham de lado como se não fosse com eles. Continuam sedentos e esgotando as reservas. Assustaram os últimos animais. Agora nos aterrorizam. Não se compadecem. Mas não se secam.

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Sobre Ricardo Imaeda

Um amigo. Em passagem por terras estranhas, imigrante nativo. Tem aprendido com todas as formas de vida. Gosta de cidades e montanhas, árvores e culturas. Anda por um caminho temperado pelo zen, na incerteza de cada dia. Escreve para compreender, para encontrar.
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