A estrada encontrada

luminária do museu da madeira no Horto Florestal, região norte de São Paulo, por Ricardo Imaeda

luminária do museu da madeira no Horto Florestal, região norte de São Paulo, por Ricardo Imaeda

Na mostra ‘Música e Cinema. o casamento do século?’*, em versão adaptada do original do Cité de la Musique (Paris), há um depoimento de Angelo Badalamenti sobre como compôs a trilha de ‘Twin Peaks’ a partir da descrição das cenas pelo diretor David Lynch. À medida em que as notas começam a ressoar somos imediatamente envolvidos pela atmosfera noturna, sombria, lacunar – a névoa de solidão e desamparo que vai nos encobrir na travessia do filme.

Talvez não seja apenas a magia do artista em criar sonoridades sugestivas. Não apenas o talento, a técnica. Ouvindo a música percorremos uma trilha de reconhecimento das emoções mais profundas, um plano de redescoberta interior. É como se o compositor, ao visitar essas terras acessíveis a cada pessoa, mas por algum motivo distantes, nos mostrasse um mapa: olhem isto, vivam isto; vocês são assim.

Existe qualquer coisa de espiritual nessa oferta. Um encontro com o que é comum a todos ou pode vir a ser. E, por isso, pode nos ligar pelo fio da melodia.

Um encontro, em meio aos bombardeios e destroços se adensando ao redor.

 …

*em cartaz no Sesc Pinheiros, São Paulo, até o início de janeiro de 2015

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Sobre Ricardo Imaeda

Um amigo. Em passagem por terras estranhas, imigrante nativo. Tem aprendido com todas as formas de vida. Gosta de cidades e montanhas, árvores e culturas. Anda por um caminho temperado pelo zen, na incerteza de cada dia. Escreve para compreender, para encontrar.
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Uma resposta para A estrada encontrada

  1. Ricardo disse:

    Lindo, lindo texto:
    De um só (escolhido ou q escolheu?) para muito, muito poucos.
    Parabéns e, pq não, + uma vez obrigado pela compaixão em cada partilha q vc faz com a gente, apesar do preço q se deve pagar a cada dia, assim eu pelo menos do lado de cá, imagino.

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