Longe demais em frente

instalação com cartas de imigrantes em gavetas cenográficas na nova configuração do Museu da Imigração, na Mooca, região centro-leste de São Paulo, por Ricardo Imaeda

instalação com cartas de imigrantes em gavetas cenográficas na nova configuração do Museu da Imigração, na Mooca, região centro-leste de São Paulo, por Ricardo Imaeda

Foi uma carta, essa prova material de ainda existir. Mais densa que a poeira acumulada nos meses em que trabalhou na cidade. Longa, cheia de frases quebradas, vaivéns no passado e na viagem que o deslocou para sempre no espaço do que é ser um em meio ao todo diferente. Demorou muito para escrever. Só depois de conseguir um tempo livre para refletir bem sobre as mudanças por que tinha atravessado. Mas não o suficiente para transmitir o que sentia. Entre uma coisa e outra havia uma cordilheira de paredões intransponíveis. E as tentativas de escalada foram moldando um novo corpo. Nem imaginava como seria lido, guardando a ilusão de que o compreendessem e o acompanhassem no percurso. Olhou-se no espelho depois de terminar, com receio. E então releu. E não entendeu mais nada.

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Sobre Ricardo Imaeda

Um amigo. Em passagem por terras estranhas, imigrante nativo. Tem aprendido com todas as formas de vida. Gosta de cidades e montanhas, árvores e culturas. Anda por um caminho temperado pelo zen, na incerteza de cada dia. Escreve para compreender, para encontrar.
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