A saudade do sublime

crepúsculo a partir do antigo café do Sesc Avenida Paulista, por Ricardo Imaeda

crepúsculo a partir do antigo café do Sesc Avenida Paulista, por Ricardo Imaeda

[ao som de ‘Stars’, de A. Boublil, C.M. Schonberg e H. Kretzmer, com Collabro; e de ‘The impossible dream’, de Mitch Leigh e Joe Darion, com Richard & Adam]

 

Procurando na internet uma canção de que agora não lembro encontro um vídeo de um grupo de rapazes cantores ingleses: o Collabro. Eles são simples, vestem-se de maneira casual (nada feito para holofotes), trabalham em atividades não ligadas ao mundo das artes. E cantam. Cantam com uma sensibilidade e uma garra de quem sabe que aquela é a primeira vez e a última chance. Cantam o tema de que mais gosto do musical ‘Les misérables’, ‘Stars’. Puxando vídeo após vídeo descubro que eles chegaram até a final e venceram em um programa de novos talentos. E continuam sua trajetória de emoção e sucesso.

Da mesma forma que eles, agora nos Estados Unidos, o jovem Josh Page monta um trio interétnico de cantores cross-over, líricos mesclados com o popular: o Forte. Também eles participam de um show de talentos. Mais uma pesquisa e encontro a dupla inglesa Richard & Adam, também de cantores de linhagem mista. E antes deles, Susan Boyle, Jackie Evancho, Josh Groban, tantos outros.

Há no sucesso deles a nostalgia de um tempo e de uma ética, um estar no mundo que parecia ter partido para sempre. Muito diferente do que se vive hoje. A repercussão deles mostra que existe essa falta, tão funda, tão sentida em tanta gente. A dicção lírica ajuda a compor a atmosfera de distanciamento para fora da vulgaridade e diluição que parecem ter tomado conta da vida cotidiana. Suas vozes tocam a possibilidade de ser outro, vibrar na delicadeza das coisas verdadeiras, estar na altura do que transcende. Por isso comovem a tantos. Quando tudo parecia perdido eles lembram que existe ainda um lugar que, se difícil de ver, ainda ressoa, ainda emite sinais.

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Sobre Ricardo Imaeda

Um amigo. Em passagem por terras estranhas, imigrante nativo. Tem aprendido com todas as formas de vida. Gosta de cidades e montanhas, árvores e culturas. Anda por um caminho temperado pelo zen, na incerteza de cada dia. Escreve para compreender, para encontrar.
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Uma resposta para A saudade do sublime

  1. Alanyson disse:

    A esperança, essa danadinha.

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