O pão e a escada no estrangeiro

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[ao som de ‘C’era un ragazzo…’, de F. Migliacci e M. Lusini, na voz de Gianni Morandi]

 

Parece que foi em outra vida, se outra houvesse, porque não é só muito tempo de distância. É todo um conjunto de disposições, crenças, expectativas diversas. Como se fosse outra pessoa mesmo. Ao ouvir essas canções é um estranho que sinto viajar dentro de casa, um conhecido fora da época. Alguém que passou e persiste, reconhecível abandonado. Assim com as fotos, assim com o espelho. Talvez com as memórias, tornadas ficções intransferíveis. Fantasmas em vida, ikiryôs. Quantos deles não transporto sem querer, com algum carinho, enquanto passo por mais uma estação seca, mais uma. Descendo e subindo por escadas que não são minhas, como disse Dante Alighieri daqueles condenados ao exílio. Mas aqui o pão salgado não fere o gosto. E é quando o passado consegue se dissolver no presente.

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Sobre Ricardo Imaeda

Um amigo. Em passagem por terras estranhas, imigrante nativo. Tem aprendido com todas as formas de vida. Gosta de cidades e montanhas, árvores e culturas. Anda por um caminho temperado pelo zen, na incerteza de cada dia. Escreve para compreender, para encontrar.
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