Firenze, la prima volta

panorâmica de Florença a partir da piazzale Michelangelo, no Oltrarno, por Riccardo Imaeda

panorâmica de Florença a partir da piazzale Michelangelo, no Oltrarno, por Riccardo Imaeda

[ao som de ‘Un’altra notte se ne va’, do Zero Assoluto, música que me acompanhou em toda essa viagem]

 

Ao desembarcar do trem de alta velocidade e sair da estação a primeira imagem que se vê é a dos fundos da igreja Santa Maria Novella e de imediato a atmosfera muda e a cidade se infiltra em nossa sensibilidade de forma sutil, encantadora.

Ela tem uma personalidade muito forte, solar, criativa, de um refinamento estético depurado ao longo de tantos séculos. Em cada pedaço se pode encontrar um respiro, uma obra de seus grandes artistas, escritores, pensadores, cientistas.

É apenas o começo. E recorro a um texto do sociólogo Georg Simmel para melhor descrever essa impressão:

“Quando … se olha para Florença do alto de S. Miniato se vê como a cidade está emoldurada pelos seus montese é atravessada pelo seu Arno como uma artéria vital; quando, de tarde, com a alma repleta da arte das suas galerias e palácios e igrejas, se passeia pelas suas colinas, com as suas vinhas, oliveiras, ciprestes, onde não há um pedacinho dos caminhos, das vilas, dos campos. Que não transborde de cultura e de passados grandiosos, onde uma camada de espírito os rodeia como uma um corpo astral desta terra – então nasce um sentimento como se a oposição entre natureza e espírito se tivesse aqui tornado insignificante.

“Uma unidade misteriosa e, contudo como que a meter-se pelos olhos dentro, a saltar aos olhos, enlaça a paisagem, o aroma de seu chão e a vida das suas linhas, com o espírito, que é o seu fruto, juntamente com a história do ser humano europeu, qu aqui ganhou forma, com a arte, que aqui surge como um produto da terra.

“Compreende-se que foi neste lugar que nasceu o Renascimento, o primeiro sentimento de que toda a beleza e significação que a arte busca surgem como um desenvolvimento da manifestação natural das coisas (…).

“Aqui a natureza tornou-se espírito , sem renunciar a si própria. (…)

“Não há talvez mais nenhuma cidade cujo efeito de conjunto, o que se oferece aos olhos e o que pertence às suas memórias, a sua natureza e a sua cultura em cooperação, gere no observador de modo tão vincado uma impressão de obra de arte (…).

“O tempo não gera aqui uma tensão dilacerante entre as coisas, como o tempo real, antes se assemelha ao tempo ideal em que vive a obra de arte, o passado aqui pertence-nos, como a natureza, que também é sempre presente. (…)

“É como se esta cidade procurasse em todos os recantos da alma tudo o que é maduro, alegre, cheio de vida, e construísse a partir disso um todo, tornando sensível de repente a sua conexão e unidade internas.” *

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* Georg Simmel, ‘Florença’, in “Simmel – A Estética e a cidade”, ed. Annablume e Imprensa da Universidade de Coimbra

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Sobre Ricardo Imaeda

Um amigo. Em passagem por terras estranhas, imigrante nativo. Tem aprendido com todas as formas de vida. Gosta de cidades e montanhas, árvores e culturas. Anda por um caminho temperado pelo zen, na incerteza de cada dia. Escreve para compreender, para encontrar.
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