Desaparecer

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Depois de muito tempo noto que a foto do meu cartão da biblioteca está desaparecendo. Quase não é mais possível ver o contorno do meu rosto. Era mesmo uma foto com baixa definição, mas agora praticamente não existe mais. Demorou menos que as fotos de papel, de qualquer outro documento. Será que é essa velocidade em que desapareço, muito a cada dia, nem pálida lembrança?

Talvez não haja sequer espelho em que possa conferir a impressão de meu espanto, a familiaridade de algum traço ou a passagem do tempo. O plástico parece mais indiferente nesse liso que não identifica. No lugar restou um vazio esfumaçado diante do qual me esforço para reconhecer meu passado. Sou todo esse passado extinto a que insisto em retornar sem motivo.

Ando em várias direções mas parecem todas se apagar toda vez que tento ver de novo para onde. É como se me perdesse e os mapas borrassem com essa chuva de repente.

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Sobre Ricardo Imaeda

Um amigo. Em passagem por terras estranhas, imigrante nativo. Tem aprendido com todas as formas de vida. Gosta de cidades e montanhas, árvores e culturas. Anda por um caminho temperado pelo zen, na incerteza de cada dia. Escreve para compreender, para encontrar.
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