As coisas guardadas

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É estranho olhar para coisas guardadas por tanto tempo em gavetas e armários. Muitos arrepios de vidas passadas parecem levantar como zumbis de ‘Thriller’ mas, ao invés de assustar, eles oferecem uma espécie de conforto. Como velhos conhecidos dormentes, molduras e fundos de cena. Somos o que fomos, o que deixamos de ser, cancelamos, confirmamos, negamos. Mesmo quando rasgamos e jogamos fora para sempre, essas coisas nos fazem pertencer a um mundo com existência própria: a ficção que construímos em conjunto com as circunstâncias.

Quando ensaio escrever, criar outras vidas, sinto o quanto é difícil partir do zero. Talvez seja por isso. Os seres inanimados cobram um preço alto para participar de qualquer nova história. Decantar com o tempo é conviver, dividir os encantos e o tédio de estar ao lado e, por longos intervalos, se esconder para permanecer presente.

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Sobre Ricardo Imaeda

Um amigo. Em passagem por terras estranhas, imigrante nativo. Tem aprendido com todas as formas de vida. Gosta de cidades e montanhas, árvores e culturas. Anda por um caminho temperado pelo zen, na incerteza de cada dia. Escreve para compreender, para encontrar.
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