Meu aprendizado Zen (1)

El Morado, nos Andes chilenos, por Ricardo Imaeda

El Morado, nos Andes chilenos, por Ricardo Imaeda

São quase vinte anos e não é o período de tempo que importa. No início foi a busca de um sentido que me levou em direção a ele. A necessidade de encontrar justificativas e respostas. Um alento, uma saída. Nem imaginava coisas sobre círculo de nascimento e morte. Queria um caminho, um mapa. E tantos foram os desvios, as dúvidas, as incompreensões. E que difícil ir contra o fluxo em um mundo estruturado e se fechando…

Passos perdidos, voltas e retomadas foram acontecendo em um segundo plano enquanto a luta pela sobrevivência ocupava a maior parte da cena. Foi quando comecei a colocar em questão a própria versão de luta que tanto parecia evidente, universal, desde sempre reconhecida, um destino trivial. Ao longo de tantos anos sempre me vi tendo de combater para não submergir. Por ser diferente desde a origem em um meio que não era o meu, em uma família que não se ajustava à gramática de afetos, contra as perspectivas da mediocridade, contra as perspectivas de ser tragado pela máquina do sistema.

Mas a luta sempre fora desigual e sempre me cansava, desgastando o estoque de impulso cada vez mais. Mas a luta me movia e, por muitos anos, foi o principal motor de meu percurso. Conferiu sentido, deixou muitos espaços em branco.

As inquietações ganham mais força quando saio do mundo estruturado. A partir daí a sensação de estranhamento atinge cúmulos que jamais havia imaginado. Cada vez mais isolado e só, a impressão que tinha era que de fato já havia saído da vida. É acordar sem ter que seguir um roteiro predeterminado por outros. sem ter compromissos, sem ter conversas obrigatórias, sem ter superiores, inferiores, iguais. Levantar sem um motivo, seguir o dia sem um prazo definido, sem um ponto de chegada. Pode ser desesperador. Pode ser enlouquecedor. Ao mesmo tempo, a própria visão de luta começa a perder substância.

 

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Sobre Ricardo Imaeda

Um amigo. Em passagem por terras estranhas, imigrante nativo. Tem aprendido com todas as formas de vida. Gosta de cidades e montanhas, árvores e culturas. Anda por um caminho temperado pelo zen, na incerteza de cada dia. Escreve para compreender, para encontrar.
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Uma resposta para Meu aprendizado Zen (1)

  1. alanyson disse:

    E cada um seguindo o seu caminho, conforme projeta e cria a realidade.
    Gostei da parte da visão da luta perder substância. Não há contra o que lutar. É só viver a vida da melhor maneira que pode. E o jeito que pode já é a melhor maneira.

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