A volta

gavetas com cartas de imigrantes no Museu da Imigração, na Mooca, em São Paulo, por Ricardo Imaeda

Ouvir o som da pulsação do seu corpo através do Ecodoppler é como ouvir o universo em trânsito ou o fundo do mar. Depois de um estranhamento inicial você começa a sentir um carinho cada vez mais particular a esse barulho que vai ganhando sentido e simpatia. É líquido e ao mesmo tempo vivo, sem cor mas com tantos matizes. Como se no interior das artérias o fluxo o ritmo o tônus soubesse os caminhos mesmo no escuro porque escuro parece não ser. Esse som parece vir com uma luminosidade da natureza, aquela que orienta os percursos dos sonhos e dos arroubos da intuição. Às vezes soa como enxurradas em cápsulas levando o barco para um tour desconhecido. Mas não há medo. Muito rápido acontece uma sintonia com essas ondas barulhentas. Nelas se pode reconhecer o canto de baleias, o trinado de pássaros, o uivo dos ventos. Por dentro você se descobre em retorno a uma casa que sempre foi sua.

 

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Sobre Ricardo Imaeda

Um amigo. Em passagem por terras estranhas, imigrante nativo. Tem aprendido com todas as formas de vida. Gosta de cidades e montanhas, árvores e culturas. Anda por um caminho temperado pelo zen, na incerteza de cada dia. Escreve para compreender, para encontrar.
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