Quase despedida

Penso nas tantas vezes em que sobrevivi. Em tudo o que perdi junto aos que se foram, mesmo que não tão próximos assim. Cada parte não restante em cada parte resistindo. Sou progressivamente mais uma ficção, um personagem pouco reconhecível agora em nova hora de mudanças. Antes a urgência de escrever, deixar registros, ficar, alguma permanência. Mas então o desejo de desaparecer completamente, como se não tivesse existido nem em sombra. Agora sinto de novo uma vontade de escrita, ainda fraca, como em tudo fraca. Se voltar devo escrever mais. Quem sabe escrever mais.

Penso nas tantas vezes em que quase fui para outro caminho. Ou fui e voltei. Em que havia um outro desenho, outro retrato em que não me reconhecia, em que me dissolvia ou deixava de ser.

Para onde irei agora? Pouco sei, mas sinto a companhia de fantasmas. Talvez deva cultivá-los mais.

 

[Enquanto isso continuo presente no Instagram]

 

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Sobre Ricardo Imaeda

Um amigo. Em passagem por terras estranhas, imigrante nativo. Tem aprendido com todas as formas de vida. Gosta de cidades e montanhas, árvores e culturas. Anda por um caminho temperado pelo zen, na incerteza de cada dia. Escreve para compreender, para encontrar.
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